Os portugueses estão prontos para devolver?

O Sistema Volta trouxe para o quotidiano dos portugueses uma nova forma de pensar a reciclagem de embalagens. A lógica é simples: paga-se um valor adicional na compra de determinadas garrafas e latas, que pode ser recuperado quando a embalagem é devolvida num ponto de recolha.

Mas será que os consumidores estão preparados para integrar este sistema nas suas rotinas?

Neste estudo, a MORE Results procurou perceber não apenas o nível de conhecimento sobre o Sistema Volta, mas também a forma como é interpretado, as barreiras que levanta e a intenção de adesão dos portugueses.

Apesar de praticamente todos os inquiridos já terem ouvido falar do Sistema Volta, a experiência concreta com o sistema ainda está longe de ser generalizada.

Ficha técnica

498 respostas completas

Questionário online realizado em junho de 2026 junto de residentes em Portugal, maiores de 18 anos, através do Painel Pinta d’Amarelo.

Metodologia: CAWI / questionário online

Perfil: sexo, idade e distrito cruzados com dados de painelista

Margem de erro teórica: ±4,4 p.p. para 95% de confiança

Tratamento dos dados: MORE Results

Nota: amostra de painel online, não ponderada.

A notoriedade do Sistema Volta é praticamente total, mas os dados mostram que conhecimento não significa necessariamente compreensão. A forma como o sistema é interpretado continua a ser ambígua, sobretudo quando o valor pago é lido por muitos como um imposto.

Os dados mostram que a resistência ao Sistema Volta não está necessariamente ligada à ideia de reciclar. O ponto crítico parece estar na experiência esperada: pagar primeiro, guardar as embalagens, devolvê-las em condições e só depois recuperar o valor.

Quando este processo é percecionado como pouco prático, o depósito deixa de ser lido como incentivo e passa a ser entendido como esforço adicional.

A forma como os consumidores interpretam os 10 cêntimos é central para a adesão ao sistema. Embora o valor seja apresentado como recuperável, mais de metade dos inquiridos lê-o como um imposto.

Esta perceção mostra que o desafio não está apenas no funcionamento técnico do Sistema Volta, mas também na confiança de que o valor pago será, de facto, facilmente recuperado.

As barreiras identificadas mostram que a adesão ao Sistema Volta depende menos da intenção ambiental e mais da conveniência no dia a dia. Guardar embalagens, transportá-las, garantir que chegam intactas e encontrar um ponto de devolução acessível tornam-se parte da experiência.

Quando o esforço percebido é maior do que a recompensa, o sistema deixa de ser apenas uma medida de reciclagem e passa a ser avaliado como uma exigência adicional ao consumidor.

Para conhecer todos os resultados, descarregue o estudo completo aqui.

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